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Você sabia que nem sempre as dores ou outros sintomas que você percebe em seu corpo são decorrentes de algum problema físico em seu organismo? Muitas vezes, são sinais de algo psíquico, ou seja, que está afetando a sua mente, mas que se manifesta no corpo. É uma condição mais comum do que se imagina, mas nem todos dão atenção a isso. Talvez já tenha acontecido de você procurar um médico por estar com fortes dores de cabeça, por exemplo, e não ter chegado a nenhum diagnóstico, mesmo realizando exames. Depois, você pode até ter procurado outros profissionais ou não, mas as dores acabaram passando “sozinhas”. Pode ter sido um caso de doença psicossomática, sobre a qual você vai saber mais agora:

O que são transtornos de somatização?

Esse tipo de transtorno também pode ser encontrado com o nome de Síndrome de Biquet e se caracteriza pelo aparecimento de sintomas físicos, que variam no decorrer do tempo (às vezes estão bem intensos, outras vezes, chegam a ficar imperceptíveis) e que persistam por mais de dois anos sem ter uma causa orgânica identificada.

Os sintomas dos transtornos de somatização sugerem a presença de alguma condição médica, no entanto, não há uma explicação que seja totalmente médica para eles. E por que isso acontece? De onde vêm esses sintomas se não há nada errado com o organismo? Eles são consequentes de algum transtorno mental e é por isso que ele não pode ser diagnosticado por exames convencionais, realizados em laboratórios médicos.

Na maioria dos casos de Síndrome de Biquet, o indivíduo passou por algum trauma psicológico tão grande capaz de afetar o seu físico. Os sintomas podem aparecer em qualquer parte do corpo, como dores de cabeça ou gastrite e podem vir associados a alterações comportamentais. Ou seja, esse indivíduo, além de estar relatando algum sintoma físico, também mudou a sua forma de se comportar socialmente, mesmo que de forma sutil e que, por vezes, nem ele mesmo se dê conta.

Em outros casos, não é necessário um trauma específico para que o paciente desenvolva transtornos de somatização, mas até o fato de ser submetido a um grande estresse constantemente no ambiente de trabalho, por exemplo. Em momentos de grande pressão, a pessoa começa a sentir dores de cabeça e de estômago, os resfriados passam a ser mais frequentes, alguma alergia se manifesta na pele, a respiração torna-se mais difícil e assim por diante.

Algo que deveria ser suportado pela mente da pessoa acaba transpondo uma barreira e invade o corpo no sentido mais físico e material da palavra. Isso é bastante lógico se levarmos em conta o fato de que corpo e mente são uma unidade, ou seja, não é possível separar as duas coisas.

Muitos profissionais que trabalham com doenças psicossomáticas (são justamente essas de que estamos tratando, ou seja, sintomas físicos provocados por alguma condição mental adversa) concordam ao dizer que todas as pessoas passam por conflitos mentais e emocionais e que isso interfere no físico. No entanto, torna-se um transtorno de somatização declarado quanto ultrapassa os dois anos, ganhando uma característica crônica.
imagem de pessoas transparente, ossos a mostra com pontos luminosos representando dor


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Quais são os sintomas e características específicas?

Para que algo seja considerado um transtorno de somatização, portanto, é necessário que haja sintomas físicos não justificados pela medicina convencional e que ultrapassem os dois anos. Uma pessoa pode ter apenas um sintoma ou ter vários deles combinados e, como foi dito anteriormente, haverá momentos em que eles estarão mais intensos e outros em que vai parecer que eles “adormeceram”.

Os sintomas das doenças psicossomáticas não são restritos a uma parte específica do corpo e nem a um sistema, por isso, podem aparecer em qualquer lugar. Os mais comuns são os seguintes:

• Aceleração dos batimentos cardíacos em momentos aleatórios, ou seja, quando o indivíduo não está em um momento de tensão, teoricamente;
• Tremores excessivos;
• Suor excessivo;
• Dores de cabeça, muitas vezes crises que se parecem com enxaqueca (há quem desenvolva a própria enxaqueca em decorrência de transtornos psíquicos);
• Dores nas costas;
• Náuseas sem motivo algum;
• Aceleração da respiração e sensação de sufocamento;
• Dores no estômago (alguns desenvolvem a chamada gastrite nervosa, ou até úlceras);
• Sensação de boca seca.

Além disso, pacientes que já sofrem com determinadas doenças crônicas podem perceber um agravamento das mesmas como consequência do transtorno de somatização. É o caso da hipertensão arterial (e aqui há um risco, porque se a pressão subir demais as consequências podem ser fatais); psoríase; problemas no estômago. E no momento exato em que a pessoa está submetida ao estresse ou ansiedade, o agravamento é ainda mais intenso. É por isso que uma das recomendações dadas a pessoas hipertensas, por exemplo, é que não passem por nenhuma situação que as deixem nervosas (na verdade, essa orientação é dada para as famílias).

Não é muito fácil entender como algo que abala a estrutura mental ou emocional de uma pessoa pode desencadear essa série de sintomas físicos. A explicação mais básica que traduz um pouco de toda a complexidade que há por trás disso é a seguinte: durante o estresse, ansiedade ou quando há algum trauma, a atividade nervosa no cérebro aumenta, assim como a produção do hormônio adrenalina. Os sintomas aparecem em decorrência da combinação desses dois fatores.

Causas e fatores que contribuem para os sintomas

A causa principal de uma doença psicossomática é o problema psicológico ou emocional que vai desencadeá-la. Pode ser o recebimento de uma notícia trágica, como o falecimento de algum familiar, por exemplo; um trauma que a própria pessoa vivencie, como ser vítima de abuso sexual ou de outro tipo de violência; um trabalho estressante em que são impostas metas praticamente impossíveis (ou muito difíceis) de serem alcançadas; uma rotina que não seja prazerosa e, por consequência, aumente o estresse e a ansiedade.

Mas existem pessoas que passam por todas essas situações descritas no parágrafo acima e, no entanto, não chegam a desenvolver um transtorno de somatização. Talvez até tenham algumas alterações físicas, mas não tão intensas e também que não se prolongam, não chegam a dois anos.

Isso acontece porque existem fatores que favorecem o desenvolvimento de doenças psicossomáticas, como os que serão citados:

• Dificuldades em reconhecer, elaborar e expressar os próprios sentimentos. Pessoas que negam um problema ou uma sensação de angústia, que tentam se convencer de que estão bem ao invés de elaborar e expressar o que realmente estão sentindo podem ser mais susceptíveis a esse tipo de transtorno;
• Fragilidade do ego;
• Intolerância maior ao estresse, ansiedade ou a traumas psicológicos de maneira generalizada;

É interessante perceber que algumas doenças estão relacionadas a problemas psicológicos/emocionais específicos. Como uma amigdalite provocada pelo sufocamento das expressões; asma decorrente da repressão dos sentimentos; enxaqueca como a manifestação de frustração de uma pessoa muito perfeccionista; insônia relacionada ao sentimento de culpa; resfriados que surgem em períodos de confusão mental; acne sinalizando que a pessoa não aceita a si mesma como é; derrame decorrente de uma rejeição à vida; diabetes oriunda de tristeza profunda; nódulos que podem ser por conta de uma frustração ou ego ferido.

Essa relação mais específica entre a doença e o problema psíquico é abordada pela psicóloga norte-americana Louise Hay, que escreveu o livro “Curando através da mente” no qual trata de todas essas questões.

Qual o tratamento?
Mas se os sintomas não estão relacionados a uma condição orgânica que possa ser diretamente curada por meio de medicamentos e terapias, como uma doença psicossomática pode ser tratada?

O médico realmente irá receitar medicamentos para combater e aliviar os sintomas. Os mais comuns são os analgésicos, que acabam com as dores de cabeça, estômago, costas. No entanto, nesse tipo de caso, acabar com os sintomas está longe de significar o fim do problema, não é mesmo?

É por isso que são recomendadas sessões de psicoterapia, onde o indivíduo terá a chance de identificar o que está lhe provocando esses sintomas, ou seja, qual é o trauma, a origem do estresse ou da ansiedade. A partir dessa identificação, junto com o terapeuta, o paciente vai criar estratégias para combater o problema no campo mental, evitando que ele continue invadindo o físico novamente e provocando tantos sintomas.

Esse é um dos maiores exemplos de que psicoterapia é um exercício de autoconhecimento. A partir do momento em que a pessoa se conhece melhor, consegue decifrar aquilo que a abala, que magoa ou estressa, trabalhar com tudo isso torna-se muito mais fácil.

E como apoio aos medicamentos e à psicoterapia, normalmente é indicado que o indivíduo procure alguma atividade física de que goste como parte do tratamento. Os exercícios melhoram a saúde do corpo e da mente, ao estimularem a liberação de hormônios como a serotonina, associados à sensação de bem-estar e felicidade.

Corpo e mente estão juntos sempre e a saúde de um implica diretamente na saúde do outro. Como você está cuidando de si mesmo? Quando pensa na sua saúde, você tem levado em conta que a saúde mental também é fundamental? Cuide-se sempre, não tenha medo dos seus sentimentos e, se possível, veja na prática como funciona a psicoterapia.

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