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Comportamentos impulsivos e compulsivos
        Os comportamentos impulsivos e compulsivos são analisados pela psicologia por meio do estudo do processo volitivo (relativos a vontade). É a partir do conhecimento das etapas desse processo que levam à repetição de determinados atos que os profissionais conseguem entender o funcionamento de tais condições que tanto podem atrapalhar a vida dos indivíduos.
        Por sua vez, o ato volitivo é representado tipicamente pelas expressões que transparecem "eu quero" ou ainda "eu não quero". Os motivos, a motivação, são baseados em razões intelectuais, enquanto as influências afetivas são consideradas incentivos móveis.
        No que concerne às estruturas cerebrais relacionadas aos processos psicológicos que resultam em julgamentos e comportamentos morais, descobriu-se que o córtex pré-frontal ventromedial é responsável pela empatia e pelo sentimento de culpa ao se tomar uma decisão que maleficie outra pessoa. Já o hipotálamo e a amígdala coordenam os comportamentos impulsivos, bem como a agressividade.
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O que é vontade?
        De acordo com as teorias da psicologia, a vontade pode ser definida como a capacidade de decidir e ordenar a própria conduta ou comportamento. Sendo assim, o termo está ligado diretamente ao conceito de motivação, dependendo do livre-arbítrio e também da livre determinação para se fazer presente. Portanto, esse processo é indispensável para a compreensão dos seres humanos e suas ações. Afinal, trata-se de uma dimensão da chamada vida mental, que pertence à esfera dos instintos, do afeto, bem como do intelecto. Também é fundamental que se considerem os hábitos e as normas socioculturais às quais cada pessoa está submetida.
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Processo volitivo
        Os atos volitivos se dão, de modo geral, como parte de um processo. Convencionou-se, então, tratar esse encadeamento de etapas como processo volitivo. Para examiná-lo melhor, os especialistas identificaram 4 fases, que são assim divididas:
1 - Fase de intenção ou propósito: É quando se realiza um esboço das tendências e pré-disposições básicas do indivíduo.
2 - Fase de deliberação: Nessa fase, há uma avaliação consciente acerca da atitude a ser tomada.
3 - Fase da decisão propriamente dita: Ao se chegar nessa fase do processo volitivo, a ação é iniciada.
4 - Fase de execução: Na fase de execução, têm-se finalmente a realização motora da ação.
    É válido ressaltar que uma ação voluntária é entendida com o ato da vontade regido pelas quatro fases presentes no processo volitivo, em que a ponderação, análise e reflexão antecedem o estágio de execução motora.

A vontade, a moral e a variabilidade cultural     
     Um aspecto bastante interessante na interpretação dos conceitos de vontade e moral trata concomitantemente da variabilidade cultural. Afinal, o contexto sociocultural do sujeito é um dos pilares que sustentam as suas ideias sobre o que é certo ou errado. Apesar disso, nota-se que há elementos universais que atuam no controle dos impulsos e das vontades. Adquiridos ao longo do processo evolutivo que originou o homo-sapiens, esses mecanismos são localizados também em algumas espécies de primatas. Desde a divisão de comida, instintiva para a sobrevivência, até os manuais de etiqueta, não faltam provas da intersecção da moral, da vontade e da variabilidade cultural.
      
    Junta-se às questões biológicas a concepção de moral, que leva o ser humano a cercear as próprias vontades quando essas forem tidas como inadequadas. As diversas culturas, até as consideradas primitivas, contam com ferramentas de controle social e contenção de impulsos. Por exemplo, certos atos têm punição prevista por lei. Em outras situações são as normas de convivência, geralmente subentendidas, que coíbem as ações impulsivas. A crença na punição ou recompensa divina e em elementos sobrenaturais afetam também a forma com a qual os indivíduos lidam com as suas vontades. De tal modo que o estudo desse tópico depende do seu recorte cultural, pois as regras que servem de parâmetro de correto ou errado mudam de acordo com a cultura da qual se está tratando.

Alterações da vontade
     Entre os tópicos de grande relevância para os ramos da psicologia, psiquiatria e psicanálise estão as condições que alteram a vontade. Nos casos de hipobulia e abulia, há uma redução ou até mesmo abolição da atividade volitiva descrita. Ligadas à apatia, à dificuldade de tomar decisões e à fadiga, essas mudanças fazem parte dos sintomas de quadros depressivos graves.
        No entanto, existe ainda a ataraxia, que é um estado de indiferença volitiva e afetiva almejada de modo ativo por algumas pessoas. Místicos, filósofos da linha estoica e ascetas, entre outros, por vezes buscam voluntariamente essa condição.

Atos impulsivos
      Os atos impulsivos são aqueles efetuados em oposição à ação voluntária. Isto é, eles não são precedidos pelas etapas de intenção, deliberação e decisão. Em vista disso, os impulsos patológicos se tratam de atos em que as ações psicomotoras automáticas são do tipo explosivas e instantâneas. Por consequência, os impulsos são caracterizados por serem incontroláveis e não coercíveis. De tal maneira, é correto afirmar a sua associação com os impulsos patológicos de caráter inconsciente.

Atos compulsivos
      No tocante aos atos compulsivos, é central o fato deles serem percebidos pelo indivíduo como algo inadequado. Para quem os executa, o processo, que envolve ação motora complexa, é considerado indesejado. Diz-se então, do ponto de vista psicológico, que os atos compulsivos causam um desconforto de natureza subjetiva. Em decorrência disso, há, por parte da pessoa, uma tentativa de resistência ao impulso. Outro quesito a ser destacado é o alívio sentido quando o ato compulsivo é feito, sobretudo por ele estar associado a ideias obsessivas.

Exemplos de impulsos e compulsões
   Existem diversos tipos de impulsos e compulsões classificadas como patológicas. Entre as mais conhecidas estão os transtornos que englobam atos repetitivos, que não contam com motivação de ordem racional clara. A Organização Mundial da Saúde (OMS) explica que essas medidas, na maioria das vezes, vão contra os interesses e o bem-estar do sujeito, bem como de outras pessoas. A pessoa afligida relata que as ações estão ligadas a impulsos para agir. Um traço essencial desse tipo de transtorno é a incapacidade de resistir à tentação ou impulso de realizar o ato prejudicial, que pode ser inclusive perigoso para a própria pessoa e também para os demais. Em grande parte dos casos da seção aqui retratada, o indivíduo sente um aumento na tensão, bem como uma crescente excitação que só é aliviada após o impulso ser satisfeito. Isso acontece somente após a execução do ato compulsivo. Depois de realizá-lo, pode ou não surgir autorrecriminação, arrependimento e culpa.

      São muitos os impulsos e compulsões agressivas, que são separadas entre auto e hétero destrutivas.  Ou seja, determinados transtornos são mais perigosos para o indivíduo, enquanto alguns representam perigo principalmente para os outros. Na primeira categoria encontra-se a automutilação, que consiste machucar-se de forma voluntária. Autolesões leves e moderadas são observadas em pessoas com transtorno de personalidade borderline, TOC e em deficientes mentais. Já as lesões graves são um indício de surtos psicóticos. É possível citar a piromania entre as compulsões agressivas. Essa condição é caracterizada pelo impulso de atear fogo em objetos, lugares e outros bens, sendo estudado como um transtorno de personalidade. A vontade de destruir objetos, nomeada de frangofilia, é parte de alguns quadros de psicose, de transtornos de personalidade, além de intoxicação por psicotrópicos. Certos pacientes com deficiência mental também podem apresentar esse tipo de compulsão. Pacientes ansiosos ou deprimidos por vezes têm impulsos suicidas, que exigem uma investigação aprofundada de tal vontade para que se busque o tratamento adequado.
   
       Há impulsos e compulsões que estão interligadas à ingestão de substâncias ou alimentos. A dipsomania, consumo de grande quantidade de álcool, é uma das variantes desses problemas, assim como a potomania, que é a ingestão de muita água ou outros líquidos. Entra aí também a bulimia, nome dado à compulsão alimentar seguida de sentimento de culpa e medo de engordar. Nesse contexto, o receio do aumento de peso é tanto que leva a comportamentos compensatórios impróprios como a indução ao vômito e uso de laxativos.

       Por fim, outro grande grupo de atos compulsivos diz respeito aos desejos e comportamentos sexuais. As parafilias são justamente os meios tidos como desviantes para a obtenção de prazer sexual. Isto posto, elas se distinguem pela presença de fantasias, anseios ou atitudes sexuais regulares e intensas que usam objetos, situações ou atividades inortodoxas que propiciam excitação sexual ao indivíduo. Em contrapartida, essas vontades acarretam sofrimentos relevantes pela perspectiva clínica ou ainda causam um prejuízo significativo no funcionamento de setores da vida do paciente como as relações sociais e de trabalho. É vital, portanto, que se diferencie entre os impulsos normais e os patológicos, que são aqueles que de fato interferem negativamente na rotina das pessoas. Cabe também verificar tais atos a partir de um conhecimento da cultura em que o indivíduo está inserido, pois ela se reflete nas noções acerca do que são práticas sexuais normais ou não. Alguns dos impulsos que podem ser citados são o fetichismo, que é o estímulo a partir de certos objetos inanimados, vestimentas específicas ou partes do corpo. Exibicionismo também é um comportamento conhecido e que se encaixa nessas ações. É essencial ressaltar que os impulsos e compulsões descritos são só alguns poucos exemplos. Há uma diversidade de vontades e comportamentos para além das categorias estabelecidas nessa lista.

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