Medos e fobias

O medo é a emoção mais importante para nossa sobrevivência, pois ele funciona como um alerta natural aos perigos que se aproximam. Se não tivéssemos medo estaríamos nos expondo a situações perigosas o tempo todo, como por exemplo, ficar parado em frente a um carro em movimento.

Mas se por um lado o temor natural nos ajuda o medo excessivo ou patológico só causa sofrimento. A intenção desse artigo é esclarecer dúvidas e sobre medos e fobias se sua intenção é apreender a controlar esse problema leia:


Diferenças entre medo e fobia

Como saber se o seu medo é algo natural apesar de incomodo ou se já se tornou uma doença? As fobias ou medos patológicos possuem algumas características que as distinguem do temor comum:

1. Falta de lógica
Diferentemente do medo comum, medo patológico não tem razão concreta ou objetiva. O objeto de temor pode não ser perigoso ou ameaçador, pode ser, por exemplo, uma bexiga (globofobia). Pode ser algo cuja existência é irreal ou pouco provável (fantasmas, por exemplo). A coisa de que se tem aversão pode estar bem controlada ou distante e mesmo assim o medo se manifesta, em alguns casos o fóbico entra pânico pelo simples ato de visualizar uma fotografia do que ele teme.

2. Compreensão do próprio fóbico
Em muitos casos a pessoa que possui o medo sabe que ele é absurdo e sem fundamentos, o que gera mais sofrimento e vergonha para ela. É claro que existem casos em que o paciente acredita plenamente que a coisa a qual ele tem pode realmente lhe prejudicar.

3. O motivo do temor não tem base na realidade
        O fóbico pode dizer coisas como “os insetos podem entrar por debaixo da sua pele” ou “o policial atira em você se você olhar para ele”, já ouvi estas duas falas (baseado em relatos reais).

4. Intensidade 
Quando o medo se manifesta ele costuma causar muitas reações de ansiedade tais como: taquicardia e pensamentos de que o pior pode acontecer, mas quando ele é patológico esses sintomas são mais intensos e surgem outros como falta de ar, taquicardia, sudorese, dormência, sensação de desmaio etc.



Fobias ou Síndrome do Pânico?

É necessário salientar que aqui estamos falando de fobias específicas, nelas o sujeito tem um objeto de medo claro e característico (baratas, palhaços, etc.).

Quando o medo não tem um objeto definido e simplesmente aparece sem sobreaviso ou lhe impede de sair de casa pelo simples fato de ter medo, estamos falando de Síndrome do Pânico e Agorafobia.

 Escrevo isso porque muitos dos comentários e mensagens que recebo sobre medos estão relacionados a esses transtornos e não a fobias específicas.

O que causa as fobias?

     De maneira geral as fobias têm raízes em alguma experiência extremamente negativa no passado. Atendi um paciente que quando tinha três anos de idade ficou acidentalmente trancado em uma geladeira antiga que estava no quintal de sua casa, depois de algum tempo ele foi encontrado por sua mãe, mas desde então ele desenvolveu medo de permanecer em locais fechados (claustrofobia).

Uma amiga minha possui medo de borboletas, e segundo ela isso começou um dia em uma borboleta muito grande sobrevoou o pai dela, e no seu imaginário infantil a borboleta poderia levar para longe o seu genitor. Algum psicanalista diria que essa borboleta simboliza alguma outra coisa, porém não vamos entrar nesse mérito aqui.

Ouvir histórias que aconteceram com terceiros ou visualizar algo que aconteceu com outro pode trazer as mesmas consequências. Já ouvi relatos de pessoas que desenvolveram fobia de abelhas depois de assistirem ao filme meu primeiro amor em que um personagem morre após o ataque de um exame desses insetos. Do mesmo modo algumas crianças desenvolveram coulrofobia (medo de palhaços) após ouvirem a história da gangue do palhaço, lenda urbana que se espalhou nos anos noventa (e vive voltando).


Causas genéticas das fobias
Alguns pesquisadores ressaltam que as fobias podem ter causa genética, segundo eles existem alguns indícios que levam a essa conclusão.  Nessa linha de pensamento é apontado o fato de dois terços das pessoas que sofrem desse mal possuírem algum parente que também possuam algum tipo de fobia.  Também são apontados casos em que gêmeos idênticos criados separadamente apresentam a mesma fobia.

Diante desses dados é impossível negar que fatores genéticos tenham influência sobre o aparecimento desse transtorno, entretanto assim como tantas outras doenças, as fobias podem ser resultadas de múltiplos fatores (genéticos, ambientais e sociais).

  
Sintomas de Fobias
Quando estão expostos aos seus objetos de medo, ou quando simplesmente se imaginam em tal situação os pacientes fóbicos costumam apresentar os sintomas do quadro ao lado (pelo menos quatro deles).

É possível notar que são exatamente os mesmos da ansiedade e do pânico. Esses sintomas nada mais são do que reações orgânicas de quem está exposto a uma situação de estresse intenso. São psicossomáticos, ou seja, é sua mente que envia para o seu corpo a mensagem de que está passando por situação de perigo. Seu organismo libera hormônios para que você fique pronto para fugir ou lutar contra o perigo eminente.


Manias e fobias
O TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) é um transtorno mental em que o paciente repete compulsivamente determinado hábito, como por exemplo, lavar as mãos repetidas vezes. Essa compulsão por higiene pode levar o sujeito a desenvolver fobia de micróbios (nosofobia).

Uma pessoa com TOC pode também evitar determinados objetos, facas para dar um exemplo, e esse comportamento pode levar o observador a acreditar que se trata de uma fobia. Entretanto no TOC essa evitação e comportamento repetitivo são para afastar alguma ideia ou pensamento da mente: “se eu pegar uma faca posso machucar alguém” ou “preciso me limpar sou uma pessoa suja”.
·       TOC e Manias

Tratamento para Fobias

Existem muitos tratamentos para as fobias vejam alguns deles:

 1.Dessensibilização 
Muito usada em Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), essa é um dos métodos mais antigos no tratamento de fobias. Consiste em aproximar gradualmente o paciente do objeto fóbico, respeitando os limites da pessoa.
Os primeiros contatos podem ser através de fotos e então as formas de contato vão sendo intensificadas. O paciente é monitorado através de aparelhos de biofeedback, que passa para os especialistas dados como respiração, batimento cardíaco e resistência da pele.

2. Dessensibilização virtual.
É uma variação da anterior, porém nessa são utilizados equipamentos de realidade virtual, o acompanhamento dos sinais corporais continuam. Quando o terapeuta percebe a intensificação da frequência cardíaca ele para a seção e induz o paciente ao relaxamento.


3. Terapia Cognitiva Comportamental
O enfoque é ajudar o paciente modificar a forma de pensamento e perceber que as situações que ele compreende como perigosas são na verdade seguras. O terapeuta também ensina ao paciente, várias técnicas para manejar a ansiedade tais como relaxamento, controle da respiração.


Psicanálise e terapias psicodinâmicas
Elas indicadas quando existe no paciente, indicadores na estrutura do ego ou nos padrões de vida além dos sintomas fóbicos que possam ser acompanhadas por essas formas de terapia.

Elas ajudam o paciente a entender a origem da fobia e partindo daí desenvolver meios mais saudáveis de lidar com os estímulos ansiogênicos. 


Hipnose terapêutica
O paciente é sugestionado que o objeto ao qual ele teme não é perigoso. Também é ensinando técnicas de auto-hipnose como forma de ampliar a sugestão e de controlar a ansiedade diante do objeto de temor.

Alguns tipos de fobia:


Alektorofobia: medo de galinhas
Ablutofobia: medo de tomar banho
Automisofobia: medo de ficar sujo
Coulrofobia: medo de palhaços
Cinofobia: medo de cães
Copofobia: medo da fadiga
Dromofobia: medo de cruzar ruas
Eisoptrofobia: medo de se ver no espelho, medo de espelhos
Electrofobia: medo da eletricidade e de coisas eletrônicas
Fagofobia: medo de comer ou engolir
Fronemofobia: medo de pensar
Gimnofobia: medo de nudez
Hipsifobia: medo de altura
Hipopotomonstrosesquipedaliofobia: medo de palavras grandes (o nome é uma brincadeira que acabou pegando)
Katsaridafobia: medo de baratas (ao contrario do que se pensa é comum em homens)
Melissofobia: medo de abelhas
Mictofobia: medo do escuro
Selenofobia: medo da lua
Singenesofobia: medo de parentes
Triscaidecafobia: medo do numero 13
Uiofobia: medo dos próprios filhos
      
Claro que estas são apenas algumas fobias existem muitas outras, e por mais que ela pareça absurdas causam muito sofrimento a quem as possuem e estas pessoas merecem o nosso respeito.